Oi pra você ai do outro lado!

Hoje eu vim contar minha experiência com “Babel: ou a necessidade de violência” da R. F. Kuang que, sem sombra de dúvidas, entrou pra minha lista de favoritos da vida. Mesmo que não seja um livro que eu recomendaria pra qualquer pessoa, eu sinto que precisava falar sobre ele. Sabe quando você entra na narrativa de uma forma tão maluca e que parece que é você que ta vivendo na pele do protagonista e as coisas vão acontecendo e você vai entendendo tudo junto com eles? Foi isso que eu vivi durante a leitura de Babel. 


Meu primeiro contato com a autora foi com a trilogia “A Guerra da Papoula” que eu fiquei obcecada pela história da Rin e, mesmo que eu tenha sofrido a trilogia todinha, são livros que eu recomendo demais porque a Rebeca escreve fantasia inspiradas em eventos que realmente aconteceram e em lugares que existem na vida real e é muito mágico ler algo dela, sério. Mas, voltando ao tema principal, vamos falar de Babel.






A história começa em Cantão, na China quando um menino que não sabemos o nome, perde toda a sua família pra uma doença que vem assolando toda a China. Ele é “resgatado” por um homem branco com uma barra de prata e esse artefato, quase como mágica, faz com que esse menino sobreviva a essa doença. Então, ele é levado pra Londres por esse homem pra terminar sua recuperação, esse homem chamado Professor Lovell diz que a partir daquele momento aquele menino que não deve ter nem 10 anos precisa assinar um contrato dizendo que aceita será tutorado por ele: vai aprender latim, grego, continuar treinando seu chinês e cantonês e, quando tiver idade o suficiente estudará no Real Instituto de Tradução de Oxford - também conhecido como Babel. Ele também precisa escolher um novo nome para si, então nós conhecemos Robin Swift ou, pelo menos, a versão ocidental daquela criança que foi tirada de seu país e da qual não sabemos o nome de batismo. 


Antes de seguirmos, é importante dar o contexto da Prata. No livro, nessa década de 1800, a Inglaterra é uma potência mundial por conta das barras de prata, que são artigos que fazem “magia” por meio das palavras. As barras de prata levam escritos - chamados pares de equivalentes - que, em consonância, fazem alguma coisa. Por exemplo, elas são capazes de preservar estruturas envelhecidas, fazer carruagens irem mais rápido e se tornarem mais leves pros cavalos, fazem um jardim ficar mais bonito, coisas desse tipo e eu nem preciso dizer que quem têm acesso a isso são os ricos né? Também é importante dizer que são os tradutores de Babel que fazem esses pares de equivalentes utilizando etimologia e tradução de vários idiomas pra que elas funcionem adequadamente e, naquela época, trabalhar coma prata era considerado algo muito luxuoso e importante pra todo o império, pois até a Torre de Babel é protegida por essas mesmas barras de prata.


“É isso que a tradução é, eu acho. É isso que falar é. Ouvir o outro e tentar enxergar além dos nossos próprios preconceitos para vislumbrar o que o outro está tentando dizer. Se mostrar ao mundo e torcer para que outra pessoa te entenda.”


Pois bem, com o passar dos anos Robin aprende latim, fica ainda mais fluente em inglês, aprende princípios da tradução e se prepara para o momento em que ele vai pra Oxford e lá ele conhece outras três pessoas que estão na sua turma: Ramy que é de Bogotá e também foi criado por um tutor, Victorie que é do Haiti e também teve um tutor e Letty, que é branca e vem de uma família influente, ela é a única que não teve tutor.


Quando chegam a Babel eles ficam deslumbrados com toda aquela imponência dos oito andares da torre, a quantidade de livros, a quantidade de gente trabalhando e a quantidade de dinheiro que rola naquele lugar. Todos ficam abismados e completamente empolgados com a possibilidade de fazer magia através das palavras.


Até que um dia, Robin esbarra com um menino que é idêntico a ele, quase como se fosse seu reflexo. Esse menino se chama Griffin e foi tutorado pelo professor Lovell antes do Robin, então através de Griffin, Robin conhece a Hermes, uma sociedade de resistência para combater os males que o império faz e é nesse ponto que o curso da história muda totalmente. O livro tem quase 600 páginas, as coisas não acontecem de uma hora pra outra, mas a história toma rumos incríveis quando Robin enxerga que sua terra natal está ameaçada pelo império inglês e que Babel tem muito a ver com isso.


“A Linguagem era apenas diferença. Mil maneiras diferentes de ver e de se mover pelo mundo. Não; mil mundos dentro de um. E a tradução, um esforço necessário, ainda que fútil, de transitar entre eles.”


Essa história é muito muito muito incrível, eu realmente não consigo descrever o quanto essa história mexeu comigo. Eu sempre fui apaixonada por palavras, sempre gostei de estudar idiomas novos e aprender mais sobre as palavras e isso fez com que eu entendesse como elas funcionam e que realmente são muito poderosas e a autora conseguiu colocar de uma forma brilhante como a linguagem também é um meio de dominação e opressão. 


Quando Robin foi tirado de sua terra natal ainda criança e perdeu completamente o contato com sua cultura, foi educado pra servir ao império inglês e se comportar como um inglês, mas nunca deixaram ele esquecer o idioma que ele falava pra que ele servisse aos propósitos de Babel mesmo que ele jamais fosse considerado um britânico, isso é a forma mais clara de dominação que pode ser descrita. 


Rebeca Kuang colocou isso de uma forma muito clara e muito cruel, mostrando como esse mecanismo de dominação através da língua funciona e nós nem precisamos ir muito longe pra pensar sobre isso, basta que a gente veja a história do nosso país, de como a nossa língua é falada e das influências que sofremos nesse tempo. As palavras são mesmo poderosas.


Como eu falei lá no começo do texto, esse não é livro fácil e que eu recomendo pra todo mundo, ele é bem arrastado no início e até difícil de entender, mas se você gosta de palavras assim como eu, acho que vale muito a pena encarar esse livro. E não poderia deixar de exaltar o brilhante trabalho de tradução desse livro, as notas de rodapé são incríveis, me ajudaram muito a entender melhor a história e a entender as palavras e expressões em chinês usadas, realmente a tradução foi brilhante.


Bom, esse foi o texto de hoje e eu espero que eu tenha conseguido transmitir todo meu amor por esse livro que mudou a minha vida e se você já leu Babel, me conta como foi sua experiência! Até mais!




Sobre a autora:

R.F. Kuang é escritora, tradutora de mandarim e bolsista da Marshall Scholarship. Mestra em Filosofia na área de Estudos Chineses por Cambridge e em Estudos Chineses Contemporâneos por Oxford, atualmente cursa o doutorado em Literatura e Línguas do Leste da Ásia em Yale. Vencedora dos prêmios Nebula e Locus por
Babel ou a necessidade de violência, Kuang também é autora da trilogia best-seller A Guerra da Papoula — que foi indicada a diversos prêmios, incluindo o Hugo — e de Yellowface.

 Oi pra você ai do outro lado! Hoje eu vim contar sobre uma das melhores leituras de 2024, (sim, tenho certeza) um livro que me consumiu e me prendeu desde os primeiros capítulos: Canção Dos Ossos de Giu Domingues publicado pela Galera Record. Esse livro tem o hype de ser o Fantasma da Ópera sáfico e, esse musical é de longe um dos meus favoritos da vida, obviamente que eu não ia deixar essa leitura passar batido por mim. 




A protagonista da nossa história se chama Elena Bordula e o sonho dela é se tornar uma Prodígio da Primeira Orquestra do Conservatório de Vermília, — calma que eu já vou explicar — porém, a mãe da Elena foi morta porque descobriram que ela usava um tipo de magia proibida, a magia dos ossos, e isso afetou a reputação da Elena dentro do conservatório; as pessoas olham pra ela com desdém por ser órfã e por conta de sua mãe ter usado magia proibida. 


Além dela, temos suas duas melhores amigas, Cecília e Meg, que vêm de famílias com melhores condições e reputação que a da Elena. Sobre o conservatório, é um lugar onde as pessoas aprendem a fazer magia para servir ao Reino. Cada tipo de magia tem sua função e quem “faz” a magia são as prodígios, que são pessoas que invocam a magia por meio da música, então rola muita cobrança pra que elas sejam perfeitas. A Primeira Orquestra é o auge do auge na vida de uma prodígio, todo mundo quer chegar ali e ser conhecida por todos os nobres e pelo rei. Acho que é desnecessário pontuar, mas: aquele lugar é um ninho de cobra. Todo mundo quer passar por cima de qualquer um que atrapalhe a busca por sucesso, independente do que for preciso fazer pra que esse sucesso chegue.


Tá, agora que você tem uma ideia do lugar que se passa esse livro, vamos voltar pra história da Elena. 


Em um dado momento, as coisas começam a dar uma desandada na relação com as melhores amigas, eu vou dizer que essa relação nunca foi boa, sabe aquele tipo de amizade condicional? Do tipo “te quero bem mas nunca melhor que eu”? é mais ou menos assim que funciona essa amizade — e a Elena, na busca por ser uma Prodígio da Primeira Orquestra, recebe uma ajuda meio inusitada: a mestra Eco, uma fantasma que aparece no espelho da Elena, com seus olhos azuis vibrantes e com metade do rosto coberta por uma máscara feita de crânio e ajuda a Elena a se destacar no Conservatório, ensinando a ela tudo que sabe. E, como boa fasntasma do Consevatório, faz com que coisas estranhas aconteçam para que sua passarinho tenha o tão sonhado sucesso. 


“Quando você deixa que a coragem a conduza, ao invés de se tolher pelo medo, aí sim encontra o seu verdadeiro potencial.”


Esse livro me despertou um misto de sentimentos que até agora eu não consigo descrever. É um livro brutalmente real e com um plot tão, mas tão real que é até difícil falar dessa preciosidade de história. Pra não dar muitos spoilers da história, vou listar algumas coisas que me fizeram amar esse livro.


Primeiro que a Giu não teve medo de mostrar a realidade. Quando nos colocamos em um ambiente tão hostil, é natural que a gente sinta inveja das outras pessoas que conseguem mais do que nós. Aqui não seria diferente. Os alunos do conservatório são praticamente a personificação da inveja, sempre diminuindo as conquistas dos outros e tentando derrubar o próximo. Isso se reflete demais na amizade entre as três protagonistas. Logo no começo a gente percebe o quão bosta essa relação é. Uma sempre fala da outra pelas costas, menosprezam, mas tem aquela coisa da dependência que me pegou demais: quando você sente que não tem pra onde ir, até uma relação merda como essa ajuda a te manter “são”, mesmo que isso te desperte sentimentos horríveis. 


A escrita da Giu é ótima, eu já li o primeiro livro dela, Luzes do Norte, e gostei muito mas não pense que Canção dos Ossos segue a mesma linha. Esse livro é uma coisa meio Dark Academia com alta fantasia gótica, não consigo explicar muito bem, porém a mistura dessas coisas funcionou tão perfeitamente bem que eu não senti o tempo passar enquanto eu tava lendo 


A escolha de mostrar como a humanidade é lotada de sentimentos que considerarmos ruins foi muito acertada, em alguns momentos da história eu fiquei “meu deus que ódio vou bater em alguém” e dois segundos depois eu tava “puts eu também já me sujeitei a isso” ou “nossa, eu já vi isso acontecendo em n situações”. Foi maravilhoso ver isso num livro e conforme a narrativa vai avançando, parece que eu tava tão imersa na leitura que as coisas estavam acontecendo comigo, sabe? Como se eu também estivesse ali junto com a Elena e isso foi mágico demais. 


Como eu falei anteriormente, o livro não é uma romantasia, não é uma coisa fofinha nem nada disso, é uma fantasia gótica, que aborda temas que podem ser sensíveis a algumas pessoas, então, tome cuidado na leitura e respeite seus limites.


Pra finalizar, devo agradecer a Giu por escrever essa preciosidade de história que eu vou guardar no meu coração por um bom tempo. Eu espero que você tenha gostado desse texto e que, se você ler esse livro, venha conversar comigo.


É isso, até o próximo texto. <3 




Olá pra você aí do outro lado! Hoje eu vim contar sobre minha experiência com o livro “Os Fantasmas Entre Nós”, romance de estreia de Gih Alves que saiu ano passado - 2023 - pela editora Seguinte e que meu melhor amigo me deu de presente! (Obrigada migo, te amo <3)

A história se passa dentro da Agnes Dantas, uma universidade bastante famosa onde se estuda magia e coisas sobrenaturais. Mas não ache que a fama da universidade vem só daí: a instituição é famosa porque todos os anos dois alunos morrem de maneiras misteriosas e violentas nas dependências da universidade.


Dito isso, conhecemos a Manu, uma das personagens principais, bolsista na Agnes Dantas e que também desempenha algumas atividades extracurriculares que tomam bastante tempo dela. D outro lado, temos Isadora, ex melhor amiga da Manu. As duas se desentenderam em algum momento do passado e agora não são mais tão próximas assim. Entretanto, depois que elas são atacadas por uma fantasma no banheiro - sim, a própria Loira do Banheiro - elas percebem que podem ser as próximas a morrer dentro da universidade e, bom, agora é tentar superar essas diferenças e sair viva de toda essa história, com sorte, também romper essa maldição de mortes dentro da Agnes Dantas.


Os Fantasmas Entre Nós tem um vibe Dark Academia que me agradou bastante e eu adoro essa coisa de universidade amaldiçoada e investigação que é uma parte importantíssima do livro, pois, aparentemente, ninguém sabe como essas mortes começaram e porque elas acontecem, Manu e Isa vão ter que descobrir tudo isso sozinhas e tentar fazer alguma coisa a respeito disso.


O livro é extremamente fluido e tem menos de 300 páginas, sabe aquelas histórias pra ler em um domingo tedioso e acabar no mesmo dia? É esse. Outra coisa que gostei bastante foi a relação entre as protagonistas: elas têm um interesse amoroso mútuo, mas alguma coisa deu ruim no meio do caminho da amizade, então elas precisam entender o que rolou e tentar arrumar isso tudo enquanto estão sendo perseguidas por fantasmas, estudando pras provas e ouvindo vozes nas paredes, ou seja, sensacional!!!


Esse estilo meio dark academia é algo que não tenho muito contato, todas as vezes que tentei, acabei abandonando a leitura por não entender direito o que tava rolando, mas esse me pareceu uma boa porta de entrada pra esse estilo de narrativa que se tornou popular aqui no Brasil tem pouco tempo, e, pelo que entendi, é estilo que os personagens são MUITO estudiosos e que “crescem na vida” através da validação acadêmica. Uma das referências da história é a Maldição da Mansão Bly, que é uma série que eu amo perdidamente!!


Mesmo que em alguns momentos a história tenha sido mais “corrida”, não acho que isso atrapalhou minha experiência porque eu adoro ler o livro todo de uma vez só; as descrições mais sombrias e dark são muito bem feitas e a ambientação é sensacional, uma coisa bem brasileira mesmo, amei!


Espero que você tenha gostado do post e me conta se você já leu ou quer ler esse livro! Até a próxima :)


Sinopse: Na Universidade Agnes Dantas, os estudantes aprendem com o paranormal. Embora seja admirada em todo o país, a instituição só não tem uma reputação perfeita porque, todo ano, pelo menos dois alunos morrem em suas instalações sob circunstâncias suspeitas.

Para Manuela e Isadora, as provas, a vida longe da família e os sentimentos confusos que uma tem pela outra já são problemas suficientes para ocupar a cabeça. Até que, depois de serem atacadas por uma fantasma loira em um banheiro da universidade, elas se dão conta de que podem ser as próximas vítimas dessa trama — e, ao tentarem desvendar esse mistério, vão perceber que há mais fantasmas entre elas do que imaginavam.


 Oi pra você aí do outro lado!! Como você tá? Por aqui as coisas estão meio corridas e as leituras avançam pouco, mas são boas leituras. No fim das contas, é isso que importa!


Bom, hoje eu vim contar sobre a minha experiência com um livro que foi uma grata surpresa. Eu não sou uma ávida consumidora de fantasia, sempre tive bastante dificuldade em me inteirar do mundo e entender como as coisas funcionam, mas desde que soube que essa fantasia sáfica seria publicada aqui, eu quis ler.


Antes de seguir na leitura desse texto, saiba que o livro abordado possui inúmeros temas sensíveis como: genocídio, feminicídio, intolerância e abusos.





O Trono de Jasmim” foi escrito pela Tasha Suri, é o primeiro volume da série Os Reinos em Chamas, publicado aqui no Brasil pela Galera Record e traduzido plea Laura Pohl.


No livro conhecemos Malini, uma princesa que foi banida da corte pelo seu irmão, o rei ditador, e agora vive exilada no Hirana, um lugar que, antes de ser palco de um genocídio, era um lugar sagrado, fonte de muita magia e que abrigava as Águas Perpétuas - uma fonte poderosíssima de magia - e que era lar dos Filhos do Templo. Já não existem pessoas naquele lugar isolado e a princesa cumpre o seu exílio sendo envenenada aos poucos por uma criada, seguindo as ordens de seu irmão.


Do outro lado da história temos a Priya, uma criança do templo que sobreviveu ao massacre e trabalha como criada, levando uma vida quase invisível. Entretanto, ela fica incumbida dos cuidados da Princesa Malini, praticamente tendo que se exilar com a princesa, no lugar que antes era sua casa.


Além disso, as pessoas daquele mundo estão sofrendo de uma doença chamada decomposição, que "distorcia a vegetação e infectava as pessoas que trabalhavam nos campos e que brotava através da pele e folhas que saíam pelos olhos."


Quando Priya e Malini conseguem conversar, nos raros momentos em que a princesa não está drogada, acabam por descobrir muito uma sobre a outra e formam uma aliança um pouco improvável, já que as duas tem um único objetivo: derrubar o império de Parijatdvipa.


"Todos aqueles homens e mulheres condenados à morte, e por qual motivo? Um "ataque" em que ninguém morreu a não ser Meena? Seu regente é um tolo, e o mestre dele é um tolo. O imperador precisa entender que não podem extirpar a nossa língua, banir nossas histórias, nos deixar passar fome para então nos matar sem nenhuma consequência. Eu não me arrependo, Pryia. E você também não deveria se arrepender."


O livro é narrado em POVs (pontos de vista) e cada capítulo é um personagem que narra. Malini e Pryia já são personagens extremamente complexos e bem desenvolvidos e sua jornada se apoia em vários outros personagens como Bhumika, Ashok e Rao. Um dos pontos que me encantou foi justamente esse, que a autora usou a primeira parte do livro para desenvolver os personagens e mostrar o contexto politico naquele momento da história. Entretanto, isso fez com que eu achasse esse começo da história extremamente lento, tanto pela quantidade de informação quanto de narração.


A relação da Pryia e da Malini é tudo pra mim, elas formam um casal muito fofo e é muito bonito ler as duas meio tímidas e com medo de falar o que sentem uma pra outra e o pau torando enquanto rola tudo isso HAHAHAHAHA


O livro tem quase 700 páginas e não tem aquele linguajar rebuscado que geralmente tem em livros de fantasia. Foi uma boa leitura e eu estou bastante animada pra ler os outros livros dessa série! Espero muito que a editora não esqueça a série no churrasco HAHAHAHAH


Por hoje é isso, até mais!


 Oi pra você aí do outro lado!

Hoje eu vim contar como um livro de menos de 200 páginas me destruiu e me atravessou de uma forma que eu não consigo explicar. Tanto é que esse texto tá nos meus rascunhos desde que eu terminei de ler, eu simplesmente não consigo achar palavras pra descrever. Mas vamos lá.  





O livro é narrado por uma mãe que é exemplar, pelo menos aos olhos da sociedade: ela é viúva de um bom casamento, é cuidadora de idosos e criou sua única filha pra seguir o mesmo caminho, casar, ter filhos, uma boa casa, um emprego com bom salário, uma vida confortável. Entretanto, tudo vai por água abaixo quando a Green se assume lésbica, não tem emprego fixo e muito menos dinheiro pra pagar aluguel.


Em meio a isso, Green e sua namorada vão morar no apartamento da mãe e é aí que as coisas ficam complicadas. Essa mãe passa o dia todo num ambiente insalubre, cuidando de idosos que foram abandonados pelas famílias, muitas vezes esses idosos não conseguem ter o mínimo de dignidade. E se você conhece um pouco da Coreia do Sul sabe que além de extremamente preconceituosos, existe essa cultura de que os filhos devem cuidar dos pais na velhice e como a velhice por lá acontece - spoiler, muitos idosos tiram a própria vida por não conseguirem se sustentar.


A escolha de colocar a mãe como narradora do livro foi muito acertada pois estando na cabeça dela conseguimos ver que o problema nem é tanto sobre a filha dela ser lésbica, é muito mais sobre solidão, medo de não ter quem cuide dela e da filha na velhice, medo de não “continuar a família”, quebra de expectativas e perda de esperança. Mesmo que a namorada da Green faça comidas deliciosas, os pensamentos da mãe são sempre muito incisivos a respeito da menina.


“Porque minha filha, justo a minha filha, tem de amar uma mulher? Por que eu tenho de passar por essa prova, que outros pais nunca nem pensariam em ter de superar? Por que justo eu tenho de passar por tamanha dificuldade?”


Esse é um daqueles livros que doem muito, especialmente em pessoas como eu. É sempre muito complicado esse tópico da família, mais ainda quando o assunto é mãe. Não é um livro fácil de ser lido, de forma alguma, mas como parece muito que estamos dentro da cabeça dessa mãe e que o que estamos lendo é quase como o fluxo de pensamentos dela, fica muito difícil parar de ler. 


Esse é um daqueles livros que me deixou olhando pro nada durante algum tempo só pra absorver o impacto que essa história me causou. É uma história real, com pessoas reais e com coisas que podem ou não ter acontecido com você, mas que, em alguma medida, você vai se identificar e vai entender o que eu tô escrevendo aqui.


Espero que você tenha gostado do texto de hoje, me conta se você já leu esse livro e eu volto em breve <3


 Oi pra você ai do outro lado!

Hoje eu vim contar sobre a minha primeira leitura favoritada de 2024 e que também entrou pro top 3 favoritos da vida!


A noite passada no Telegraph Club, escrito por Malinda Lo, saiu pela editora Verus, com tradução da Thais Britto. 





Neste livro vamos acompanhar a Lily Hu, uma adolescente de origem chinesa mas que nasceu nos Estados Unidos. Ela mora em Chinatown com seus pais e irmãos, uma típica família chinesa. Ah, nós estamos na década de 50, importante ressaltar também que foi nessa época que a “ameaça comunista” começou a ter forma e os chineses poderiam ser deportados.


Lily sempre teve uma vida pacata acompanhada de sua melhor amiga Shirley, também sino-americana, mas as coisas começam a tomar caminhos inesperados após um incidente: Lily deixa um recorte de jornal cair no chão, nesse recorte anunciava a apresentação de Tommy Andrews, uma imitadora masculina no bar lésbico chamado Telegraph Club. Quem lhe devolve esse recorte é Kath Miller, uma menina da mesma sala que Lily e, para sua surpresa, Kath revela que já foi a esse bar e já viu a apresentação de Tommy.


A partir daí, a vida de Lily muda completamente quando ela se percebe parada embaixo do letreiro do Telegraph Club, junto com Kath e aquele mundo até então desconhecido, se mostra pra ela.


“Era aquele ainda sim que fazia a pele de Lily queimar por dentro. Era saber que, apesar das roupas que Tommy usava, apesar da atitude que fazia todo mundo ali olhar pra ela, ela não era um homem. Era algo poderoso e indescritível, como se todos os desejos mais secretos de Lily estivessem ali, expostos, no palco.”


Eu nem sei por onde começar a falar da avalanche de sentimentos que esse livro me trouxe, mas acho que um bom ponto de partida é que os medos que a Lily tem quando começa a entender sua atração por mulheres, eu tinha também e na adolescência tudo já é tão horrível e complicado e acaba que esse entendimento é um pouco mais doloroso, mas o primeiro amor é uma coisa tão avassaladora quanto os sentimentos ruins. Quando eu tive minha primeira namorada, minha nossa, foi como se eu tivesse entendido meu lugar no mundo.


O livro retrata essa descoberta da lesbianidade e do primeiro amor de uma forma muito genuína e muito sincera, extremamente real. O quanto o amor lésbico é revolucionário, o quanto nós precisamos nos arriscar e arriscar muita coisa em prol de sermos quem somos. 


A Noite passada no Telegraph Club é uma homenagem à todas as caminhoneiras e todas as “menininhas” que vieram antes de nós e que fizeram e resistiram tanto pra que hoje a gente pudesse continuar existindo. Eu recomendo demais a leitura desse livro, eu vou passar o resto da minha vida falando sobre ele e obrigando todo mundo a ler também HAHAHAHAHAH


 Oi, você aí do outro lado! Quer café?

Hoje eu vim falar sobre uma leitura que eu esperei MUITO pra fazer e ela superou todas as minhas expectativas! Um tempo atrás, eu li dois contos que - salvo engano - falei sobre eles, que são “Como arruinar seu dia de folga” e  “Como arruinar sua reputação de vilã”. Eles falam sobre a Odete e a Helena que são ajudantes de Super-Vilã e de Super-Herói, respectivamente. 


Pois bem, eu fiquei completamente obcecada por esses contos e quando vi que a Denise (autora dos livros) estava escrevendo um romance inteirinho delas, eu esperei por esse momento ansiosamente e agora eu tô aqui pra falar sobre o maior hit de 2023 segundo o Censo Resenha de Unicórnio.




O que a ajudante de uma vilã e a ajudante de uma super-heroína têm em comum?

Aparentemente, uma multidão de fanfiqueiras na internet.

Enquanto Odete e Helena aprendem a lidar com os sentimentos que surgiram quando arruinaram seu dia de folga e a reputação de uma vilã, o governo brasileiro está privatizando os super-heróis. E se isso não fosse o suficiente, uma nova ameaça parece determinada a destruir o mundo, usando os superpoderosos para espalhar o caos.

Em meio ao terror do desconhecido e à ameaça de uma guerra civil, Odete e Helena precisam decidir pelo que lutar. Suas escolhas vão determinar o destino dos sentimentos que têm uma pela outra - e do mundo também.


Leia pelo Kindle Unlimited!


Nesse livro a Odete a Helena já tem um relacionamento e elas estão tentando entender como lidar com isso pelo simples motivo de que no trabalho são rivais e na vida pessoal são amantes e metade da internet shippa elas e isso é simplesmente perfeito, trouxe um saborzinho a mais na história!


Nesse livro a coisa começa a pegar fogo quando, no meio de uma privatização de super heróis aparece uma vilã muito poderosa, que tem o poder de entrar na mente das pessoas e controlar elas, como se fosse um exército de fantoches, sabe? Só que o problema não para por aí, as nossas amadas protagonistas descobrem que essa vilã não é do mesmo universo que elas e é nesse ponto que as coisas pioram MUITO.


Não preciso nem dizer que eu amei muito esse livro, são quase 400 páginas de muita ação, caos, destruição, desespero, tudo dando errado, uma espada que não para de falar nunca, um dragão que é simplesmente perfeito e claro, nossas protagonistas sendo absolutamente perfeitas e emocionadas.


Confesso que eu não sou a pessoa da ficção científica e esse conceito de multiverso e tal é algo que eu não entendo direito, mas nesse livro as coisas são tremendamente bem explicadas, foi a primeira produção que tem esse conceito do multiverso que eu entendi completamente. Sem sombra de dúvidas isso foi muito necessário pra que eu pudesse me conectar com a história e conseguir acompanhar o desenrolar da coisa.


A escrita da Denise dispensa comentários, eu li tão rápido que fiquei até triste quando acabou.


Então se você gosta de super heróis e precisa de uma história assim, só que sáfica, esse livro é perfeito pra você! Espero que tenha gostado e até breve!


 


Oi você aí do outro lado! 


Hoje eu vim contar sobre a maior experiência literária que eu tive em muito tempo. Sabe quando a história te prende, você sente tudo que os personagens estão sentindo e se entrega pra história de uma forma um tanto absurda? Foi isso que aconteceu comigo enquanto eu lia Pachinko, da autora Min Jin Lee que foi publicado pela editora intrínseca com tradução de Marina Vargas


A história começa nos anos 1900 e conhecemos a Sunja que é filha única de Yangjin e Hoonie, um casal pobre que administra uma pensão em um pequeno vilarejo na Coréia. O pai morreu cedo então ela passou a ajudar a mãe nas tarefas da pensão. Um dia, na adolescência, Sunja conhece um rapaz muito bonito chamado Hansu e logo eles começam a se envolver. Ela fica encantada com tudo que aquele homem sabe e ensina pra ela, como o mundo é um lugar enorme. Até o momento que Sunja engravida e descobre que ele já tem uma família no Japão e não pode se casar com ela. Sunja não se vende, rompe com Hansu e resolve seguir com a gravidez sozinha e não conta pra ninguém sobre Hansu.


Entretanto, Baek Isak, um pastor de saúde extremamente frágil, se hospeda na pensão da família de Sunja e decide se casar com ela e criar aquele filho como se fosse dele. Então eles partem pro Japão e é aí que a trajetória de Sunja se permeia por preconceitos, por dores, tendo que criar dois filhos sem pátria.


“Viver todos os dias na presença daqueles que se recusam a reconhecer sua humanidade exige muita coragem”


Esse livro com toda certeza é um dos livros mais doloridos que eu já li na vida. A narrativa é muito cruel e bruta, mas não teria como ser diferente. As gerações de pais, filhos e netos de Sunja que estão no livro, contam muito sobre como é a vida, pois Sunja e Baek sairam da coreia e foram para o Japão bem na época da segunda guerra mundial e da invasão japonesa, quando a coreia se dividiu e ela e tantos outros coreanos ficaram sem lugar no mundo.


"Viver todos os dias na presença daqueles que se recusam a reconhecer sua humanidades exige muita coragem."


Acompanhar a vida da Sunja é um misto de sentimentos, principalmente quando um dos filhos dela começa a trabalhar num salão de Pachinko, que é tipo um caça níquel e é a única forma que essas pessoas tem pra ganhar dinheiro e ascender socialmente. Sunja é uma das melhores protagonistas femininas que eu já li. Ela é tudo, ela se doa por inteiro ao seu marido, aos seus filhos e a seus netos, ela faz de tudo pra manter a família de pé, vivendo. Mesmo que ela julgue ter feito escolhas erradas ao longo da vida, tudo sempre foi feito tentando ser o melhor que podia dadas as circunstâncias. 


Pachinko é um livro muito bonito e acompanhar toda essa jornada é muito especial e entender a história da Coréia através dessas personagens é incrível. A sensação que tive ao terminar de ler foi bastante agridoce, porque se a gente pensar que ainda acontecem muitas guerras, que inúmeros territórios estão sendo invadidos, pessoas sendo expatriadas, acaba que essa história talvez nem seja tão ficção assim. 


Pachinko também tem uma adaptação para série na AppleTV+ que é muito boa, mas, pra mim, o livro é muito melhor e muito mais emocionante. Se você tiver oportunidade, leia o livro, eu tenho certeza que será uma das melhores leituras que você vai fazer na vida.



 Oi, você aí do outro lado!

Hoje eu vim conversar sobre a experiência de ter lido “Estou feliz que minha mãe morreu”, um livro de memórias escrito pela Jennette McCurdy que ficou conhecida como a Sam de iCarly.


Antes de começar esse texto gostaria de alertar que o livro aborda temas que podem ser sensíveis para algumas pessoas, como anorexia, bulimia, abuso de álcool e abuso materno. Respeite seus limites e procure ajuda especializada.



Comecei a ler esse livro despretensiosamente pelo simples motivo que o título me chamou atenção e eu não tinha visto ninguém na minha bolha falando sobre o livro e logo nas primeiras páginas já me bateu o desespero e foi só piorando.


Quando ela tinha seis anos, ela fez seu primeiro teste para atriz por imposição da mãe que queria que ela se tornasse uma estrela. Então, começaram as mudanças. Jennette, uma criança, precisou mudar a cor do cabelo, mudar as sobrancelhas e os cílios, começou a fazer uma “restrição alimentar” que lhe foi ensinada pela mãe, onde ela comia pouquíssimo e passava o dia todo se pesando. Ela achava que a mãe estava fazendo o que era melhor pra sua única filha, levando ela a testes e mais testes, fazendo a garota decorar textos quando deveria estar brincando e fazendo modificações em sua aparência.


Jennette logo começou a fazer sucesso e a sustentar sua família e sua mãe ainda mandava e desmandava em sua vida, ela nunca decidiu nada por si própria e quando surgia um impulso de fazer algo por sua vontade a mãe logo a reprimia e a manipulava de formas absurdas. Ela teve que ser banhada pela mãe até os dezesseis anos, teve que mostrar seu histórico de conversas a vida toda e não podia ter amigos. Tudo isso acarretou em uma série de comportamentos autodestrutivos e logo se colocou em relacionamentos abusivos, desenvolveu transtornos alimentares e tinha crises ansiosas terríveis.


Essa leitura, que na verdade foi um audiolivro, me deixou abismada em muitos aspectos. Não fiquei surpresa com nada do que foi relatado, mas sim abismada com a crueldade de alguns adultos. Eu penso que um filho não é, de maneira alguma, uma extensão de seu responsável, ninguém deveria nascer já com o destino “traçado” ou com uma tonelada de expectativas sobre as costas. Tanto é que quando a mãe da Jennette morre em decorrência do câncer, ela fica perdida porque ela não aprendeu a pensar sozinha, a decidir coisas básicas da vida dela sozinha e se livrar dessas amarras levou muito tempo, muita terapia e muita ajuda. É triste pensar que as pessoas que deveriam ser um lugar seguro, uma fonte de acolhimento acabam por ser os causadores de feridas que jamais serão curadas.


O livro tem um tom meio engraçado e não consigo imaginar como deve ter sido revisitar todas as situações que foram retratadas. É uma leitura muito boa que traz vários questionamentos sobre ser mãe e ser filho de alguém, e como, muitas vezes a sociedade coloca isso como uma coisa sagrada, intocada e perfeita sendo que, algumas vezes não passa nem perto disso.

Oi, tem alguém aí?

Eu sumi por bastante tempo e não sei bem por onde começar esse texto, visto que faz algum tempo que não escrevo nada pra cá. Mas eu achei uma forma de voltar a falar de livro e explicar também o motivo do meu sumiço e é estranho como esse livro e a minha situação se interligam. 


Eu tenho certeza que em algum momento da sua vida alguém já te disse que “quanto mais tempo você olha pro abismo, o abismo te olha de volta” ou qualquer coisa nesse sentido. Aqui conhecemos o Luís. Um cara que nunca quis preocupar ninguém. Ele mora com sua mãe, estuda e tem amigos próximos e até aí, tudo bem. 


Um dia, marcas estranhas começaram a aparecer pelo seu corpo e é quando ele conhece o Vazio, uma entidade devoradora de almas que afeta não só ele, mas todos ao seu redor. E agora ele precisa lutar contra ele mesmo pra não ser devorado pelo Vazio e para que nenhuma das pessoas que ele ama seja devorada também. Acho que já deu pra entender né?


Eu, assim como o Luís, passei por um processo de adoecimento e esse ano fui diagnosticada com depressão - sim, o meu Vazio - e eu estou me tratando com remédios psiquiátricos e terapia toda segunda feira. Entretanto, essa doença tira tudo de nós, tira até coisas que amávamos e é muito difícil sempre estar acompanhada do seu próprio Vazio. Tanto é que eu estou tentando voltar com o blog como recurso terapêutico, tentando resgatar as coisas que eu amo fazer. No livro, brilhantemente escrito pelo meu melhor amigo, é possível ver todas as nuances da depressão e como ela nos consome por inteiro e quão angustiante é viver isso na pele, conviver com esse negócio.


Eu não me canso de elogiar o trabalho do Gogun na escrita, é maravilhoso o quão bem ele consegue retratar esses sentimentos, a falta de ser, a falta de pertencer, a falta de não saber pra onde ir, o que fazer e saber que a sua própria cabeça não é um lugar seguro e essas coisas estranhas que afetam a nossa vida e que eu mesma não consigo colocar em palavras - e olha que eu tô na terapia fazem quase 3 anos. Com esse livro, Gogun consegue mostrar o quão avassaladora a depressão pode ser, e deixa bem claro no começo do livro que a história do Luís é uma tragédia, não tem nada de feliz ali. 


Eu não quero que a minha história seja uma tragédia e por isso sigo lutando contra essa doença e contra a minha cabeça, pra continuar existindo. E mesmo que isso pareça forte e corajoso da minha parte, não é, eu demorei muito pra aceitar que eu precisava de remédios, que iria demorar pra achar aquele que funcionasse e passar por tudo que estou passando.


Então, com esse texto que, me atrevo dizer, é a minha volta pra esse lugar seguro que eu criei e com esse livro que faz todo sentido no momento, eu digo: se você está passando por um momento difícil, têm se sentido sozinhe, triste ou qualquer coisa assim, procure ajuda no CAPS da sua cidade ou ligue para o CVV, peça ajuda. Reconheça seus limites e saiba que você não precisa ser refém do seu vazio pelo resto da vida, mesmo que agora pareça que ele vai te consumir e drenar toda a sua vida e tudo que mais importa, existe tratamento, é possível fazer com que eles não te dominem mais.


 Olá pessoas! Como vocês estão?

Faz muuuuuuito tempo que eu não apareço por aqui e o motivo é bastante simples: a vida me atravessou. Minha profissão começou a demandar bastante do meu tempo, estudos também e junto com isso veio a percepção de que manter redes sociais como um “hobby monetizado” parou de fazer sentido. Eu precisava voltar às origens, fazer isso aqui como algo seguro, sem cobrança, no meu ritmo.


Eu não deixei de ler, a leitura sempre foi e eu espero que continue sendo o meu porto seguro, algo que eu amo fazer, então, tô voltando aos poucos. 


Hoje eu vim escrever sobre um livro que me chamou atenção pelo nome e eu não sabia nada sobre ele, comecei a ler ele no dia da virada do ano e até agora não sei se eu devorei o livro ou ele que me devorou. 





Pra dar uma pincelada sobre a história: todos os animais tiveram uma doença que os tornaram extremamente tóxicos, só de você ter um gato em casa você estava correndo um risco enorme e consequentemente a carne dos animais se tornou tóxica para consumo humano e praticamente não existem mais animais em lugar nenhum desse mundo. Então o canibalismo passa a ser legalizado. Sim, exatamente, existem criadouros, açougues, abatedouros de humanos para comercializar a carne dessas pessoas. 


O livro não chega a ter duzentas páginas mas ele é absurdo e bastante conflituoso. Ele vai do ponto A ao ponto B e não se propõe a explicar nada pra você, só o que é realmente necessário pra acompanhar a história e o texto é bastante frio e é exatamente aí que tá a genialidade desse livro. A autora fez uma critica muito boa à hipocrisia humana, de como a gente se acostuma com absurdos, como criamos malabarismos pra poder ter menos peso na consciência, sabe? 


Eu não sei dizer se exatamente é um livro “gore” mas é bastante explícito porque fala dos criadouros, da forma como essas pessoas são menos pessoas que o resto do mundo, sobre como funciona o abate e como é feita a criação de “carne de qualidade” que também é um ponto bastante importante do livro.


“Nós já comemos uns aos outros de forma simbólica, então comer de verdade seria só uma forma de ser menos hipócrita.”


O personagem principal trabalha num desses frigoríficos e também conta sobre os próprios dilemas no casamento, na vida e sobre essa atrocidade toda. Tem muita coisa acontecendo nesse livro e eu fiquei presa nele, de verdade. Em muitos momentos eu precisei parar de ler por conta de ter vontade de vomitar (eu não como carne, pra quem não sabe), precisa de muito estômago pra ler esse livro.


Eu gostei muito da forma como o livro é escrito e, apesar do final meio polêmico e abrupto, eu gostei bastante e achei que o livro é muito bom naquilo que se propõe a fazer. Foi o primeiro livro que li nesse ano e foi um favoritado, mas, novamente, tenha em mente que esse livro tem coisas gráficas e é bastante perturbador.


Por hoje é isso! Espero que tenham gostado e me perdoem eventuais falhas no texto, faz tempo que não escrevo assim (risos).